Números de 2012

Pessoal, o WordPress.com me enviou um relatório super legal com as principais estatísticas do blog “Odeio Voltar” em 2012.

Quem tiver curiosidade, clique aqui para ver o relatório completo

Obrigada pela companhia e feliz 2013!!!

 

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Muito, mas muito tempo depois…

Há várias semanas eu abandonei vocês lá no final da trilha inca, ainda no meio da minha viagem. Eu sei, foi indelicado da minha parte, mas para me retratar vou terminar os relatos, mesmo com um atraso de quase um mês.

Não sei se isso faz sentido, principalmente depois que já voltei pra casa e revi quase todo mundo. Decidi retomar o blog, em primeiro lugar, por teimosia. Em segundo, porque os dias que se seguiram a Machu Picchu foram bonitos demais pra ficarem guardados só no meu computador.

Além disso, escrevendo de casa vou poder postar com mais calma e com mais fotos. A partir de amanhã tentarei publicar um post por dia, mas não esperem muita rigorosidade dessa programação.

Hasta luego!

Atualizando…

Depois de Cusco já passei por Arequipa, Nazca, Ica, Paracas e Lima, onde estou agora e de onde parto para São Paulo na segunda-feira. O problema é que por aqui os computadores estão bloqueados para descarregar fotos, ou seja, acho que só vou contar a vocês sobre o resto da viagem quando já estiver em São Paulo. De qualquer forma, não desisto. Mesmo com delay, prometo postar o resto da viagem (que foi simplesmente animal).

Bjocas e até breve

Trilha Inca: dia 4, chegando a Machu Picchu

No quarto e último dia de trilha inca acordamos às 3h30 da madrugada para tomar café às 4h e começar a caminhada às 4h30. Os porteadores, ou carregadores, têm que pegar um trem que sai bem cedo, por isso precisam desmontar todas as barracas de madrugada e disparar na nossa frente.

Para nós, turistas, são só mais duas ou três horas de caminhada até Machu Picchu, contando com uma fila de mais ou menos 1h num posto de controle no caminho.

Acordei super animada e ansiosa, assim como o resto do grupo. Começamos a caminhar ainda no escuro e, conforme o dia foi nascendo, o sol saiu. Foi incrível, dado que nos últimos dois dias tínhamos enfrentado neblina, frio e chuvas constantes. Meu maior medo era chegar em Machu Picchu com um dia feio, mas não, o quarto dia amanheceu quente e bonito.

Na madrugada, despedida dos porteadores e cozinheiros. Esses homens fazem o caminho de três a quatro vezes por mês e ganham menos que 200 soles por viagem...

Neblina se desfazendo e, lá em baixo, o rio Urubamba

Chegamos em Machu Picchu por volta das 7h, com uma neblina chata que foi se dissipando ao longo da manhã. Foi incrível ver de perto a cidade sagrada dos incas. Além das paisagens fantásticas, a história do lugar é fascinante e ver tudo isso de perto coloca você em contato com uma cultura tão importante e, ao mesmo tempo, tão pouco abordada nos cursos regulares do Brasil.

Em mim essa viagem aguçou uma curiosidade inédita pela história da América do Sul. Saio daqui muito impressionada e com a sensação de que outras viagens serão necessárias para satisfazer essa inquietação.

Grupo reunido na grande chegada! Mas ainda com neblina...

Com o tempo, o dia clereou e eu tirei a foto clássica e inevitável (confesso que tenho um orgulho fdp dessa foto!)

No meio da cidade perdida

Essa casinha com teto era um armazém. Obviamente, o teto é restaurado. Mas você não acha incrível que essas cidades incas ainda existam???

Templo do Sol. Repare na perfeição do encaixe dos blocos de pedra, comparados a uma construção comum em segundo plano.

Em Machu Picchu encontramos uma viscacha, espécie de coelho selvagem andino

Uma das vistas incríveis que se tem lá de cima

A ponte inca

Eu não me canso de fotografar essas montanhas nubladas... Mas como sempre digo, pessoalmente é muito melhor

Cidadezinha de Água Calientes, aos pés de Machu Picchu

O furioso Urubamba visto de baixo

No trem de volta. Foi difícil me despedir do pessoal depois de quatro dias juntos...

Trilha Inca: dia 3

Depois da “escalada” do segundo dia, eu esperava um terceiro dia tranquilo. É o dia mais longo de todos – são 10 km no primeiro, 12 km no segundo e 15 km no terceiro – mas como estaríamos descendo a maior parte do tempo, eu imaginava que seria facílimo. Não foi.

Começamos com uma subida puxada, mas não muito longa. Em seguida, andamos por um caminho ondulado, com subidas e descidas leves. Mais ou menos no meio do dia chegamos à descida infinita. Ao contrário do que se imagina, Machu Picchu não está num lugar muito alto em relação às cidades da região. Se no segundo dia caminhamos até os 4.200 m, agora teríamos que baixar até os 2.400 m, altitude da cidade perdida dos incas.

Descer pode até exigir menos do condicionamento físico do andarilho, mas garanto que o impacto muscular é mais forte. A maior parte do declive é coberta por escadas de pedra com degraus mais ou menos altos. Em várias partes é preciso dar pulinhos. Soma-se a isso o peso da mochila, que aumenta o impacto sobre os joelhos. Considere ainda que eu estava com as pernas muito doloridas por conta do segundo dia. Resultado: descer foi muito pior do que subir os 9 km no segundo dia.

Pra piorar tudo, o dia estava novamente chuvoso e as escadas de pedra estavam molhadas e escorregadias. Eu já tinha caído uma vez no segundo dia e quase caí muitas outras no terceiro. Ouvi relatos de pessoas que caíram quatro, cinco vezes. Nada grave, mas também nada que ajude a levantar o moral.

Conforme o dia foi passando, minha tolerância àquelas escadas chatas também foi se esgotando. Foi o único momento em que desejei acabar logo a trilha. Além das pernas, a sola dos meus pés doíam muito. Cada degrau alto era uma pancada de mais ou menos 90 kg (meu peso + mochila). Fui ficando de mau humor com as dores e cheguei ao acampamento, às 17h, já muito irritada. Pra mim esse foi, sim, o dia mais difícil. Se o segundo exigiu muito, pelo menos eu estava o tempo todo feliz e motivada. No terceiro dia, depois de quase 10 h de caminhada e mais de 5h descendo degraus, eu estava é de saco cheio.

Mas enfim, chegar ao acampamento e jantar foi reconfortante. Principalmente porque o grupo já estava super integrado e nossas refeições passaram a ser os grandes momentos da trilha. Além disso, eu sabia que só faltavam mais duas ou três horas de caminhada, no quarto dia, para chegar a Machu Picchu, o ápice da viagem.

No terceiro dia o cenário é marcado pela selva peruana

 

Um dos sítios arqueológicos que visitamos no caminho

Esperando o almoço com uma neblina fortíssima que dominou o dia

Treze caminhantes famintos

Incas e seus malditos degraus. Vai gostar de subir escada assim na...

Ponto alto do terceiro dia: no caminho encontrei llamas! E elas nos acompanharam por boa parte da descida

 

Trilha Inca: dia 2

Antes de vir para o Peru conversei com várias pessoas que já tinham feito a trilha inca e todas, sem exceção, me alertaram a respeito do segundo dia. É um dia praticamente inteiro de subida. São 9 km montanha acima em rampas ou longas escadarias de pedra. O objetivo é sair dos 3.000 m e chegar a aproximadamente 4.200 m de altitude, no local conhecido como a “abra de Warmiwañusca” ou “el paso de la mujer muerta”. Depois deste feito, teríamos que descer mais 3 km até o acampamento.

Eu já disse isso, mas sou completamente sedentária. Cheguei a fazer um mês de academia antes da trilha, mas não tenho certeza de que isso ajudou muito. Depois de ouvir várias pessoas falando do quão terrível era o segundo dia, fiquei com medo de não conseguir terminá-lo.

Foi difícil? Sim. Extremamente difícil. Mas perfeitamente possível. Na verdade, confesso que eu imaginava algo pior do que foi. Pelos relatos que ouvi, achei que eu fosse ter grandes problemas. Pensei que teria que parar várias vezes, pensei que talvez eu não aguentaria a mochila, pensei que estouraria um joelho, pensei tudo de ruim que poderia acontecer, mas não foi nada disso.

Andei devagar, beeeeem devagar, porque sabia que se eu forçasse o ritmo não aguentaria o dia inteiro. Tentei não focar no final da subida, mantive minha mente ocupada com outras coisas e fui subindo cada degrau como se fosse o último. Demorei, fiquei na lanterninha e fui a penúltima do grupo a chegar aos 4.200 m. Fiz a subida em seis horas (o normal é 5h), parando apenas uma vez por cerca de 20 min.

Assim, no meu ritmo tartaruga, cheguei lá em cima me sentindo super bem. Exausta, mas bem. Venci o segundo dia. Com dores em todos os músculos da perna, terminei a parte mais difícil da trilha e fui dormir cansada e feliz.

Começo da trilha com chuva no segundo dia

Escadarias de pedra infinitas

Lá em cima, os pontinhos azuis são pessoas

Aos 4.215 m, depois de 6h de subida

Tivemos um dia nublado e chuvoso, mas com paisagens lindas como essa

Só no Peru eu fui encontrar a kantuta, flor-símbolo da Bolívia por levar as mesmas cores da bandeira daquele país: vermelho, amarelo e verde

Trilha Inca: dia 1

Pontualmente às 6h da manhã da última terça-feira, 24, o ônibus parou em frente ao hostel chamando por mim. Junto com mais 13 pessoas de diferentes nacionalidades, eu seria levada até o início da trilha inca, um dos caminhos construídos pelos “filhos do sol” para interligar as cidades do império. Não existe apenas um caminho inca, mas sim vários. O que eu fiz é conhecido pelos turistas como “trilha inca clássica”, um percurso de aproximadamente 45 km que dura três dias e meio e leva até Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas.

Para entrar na trilha todos os andarilhos precisam passar por um posto de controle onde são checados documentos e tickets de ingresso. Este é também o momento em que os guias se apresentam e o grupo de trekking se conhece. Eu era a única brasileira entre seis argentinos, duas suecas, um peruano, uma coreana e dois chilenos.

Grupo reunido pela primeira vez

O primeiro dia é tranquilo. Andamos por apenas 5h em caminhos geralmente planos ou com subidas leves. Tivemos a sorte de começar com um dia bem quente e sem chuva, embora o verão seja época de temporais constantes nessa região. Havia muitas paradas para descanso ou para explicações acerca dos sítios arqueológicos do caminho, o que também ajudava a recobrar o fôlego.

Lindas paisagens no primeiro dia

Estes aí são os porteadores que levam todas as barracas, a comida, os utensílios de cozinha, as mesas, cadeiras, o gás etc. Cada um pode carregar até 20 kg nas costas. E eles andam MUITO mais rápido que o grupo.

Sapato especial para trekking do porteador. Os caras são heróis mesmo.

No primeiro dia encontramos também muitos animais de carga. Há famílias que vivem ao longo do caminho e que usam os cavalos ou burricos como meio de transporte.

Nessa região há muitos cactos e na pontinha de um deles cresce a tuna, essa fruta colorida muito apreciada pelos peruanos.

Parada para o primeiro almoço

Ajudando os porteadores a descascarem as favas

 

Uma das várias pontes do caminho

Primeira subida mais forte, no final do primeiro dia. Lá embaixo se vê a trilha ao pé da montanha.

Acampamento da primeira noite, em Wayllabamba, a aproximadamente 3.000 m de altitude

Chegamos ao acampamento antes das 17h. Dividi a barraca com a coreana Yun, que também está viajando sozinha pela América do Sul e, na Coreia, estuda para ser astronauta. Como todos os dias, tomamos um chá da tarde às 17h30 e jantamos por volta das 19h, para dormir logo depois.

Neste dia se sente pela primeira vez o real peso de caminhar com a mochila nas costas e confesso que não foi nada fácil. A agência nos dá a opção de contratar um carregador – ou porteador, como se diz por aqui -, mas para mim levar a mochila fazia parte do desafio.

Deixei a maior parte da bagagem guardada no hostel e coloquei na mochila apenas o necessário, mas um pequeno contratempo me atrapalhou bastante. Eu tinha um excelente saco de dormir, quente e leve, que esqueci no ônibus de Uyuni a La Paz. Consequentemente tive que alugar um saco de dormir da agência, um trambolho volumoso e muito mais pesado que o meu. Além disso, cada um tem que levar seu “colchonete”, um isolante térmico que não pesa muito, mas que junto com o saco de dormir acrescentou quilos inesperados à minha mochila.

Pra piorar, durante a primeira noite choveu e entrou um pouco de água na barraca, encharcando justo o meu saco de dormir. Na manhã seguinte ele devia pesar uns bons 3 kg.

Eu sabia que o segundo dia seria puxado, por isso acatei à sugestão de um dos colegas e paguei uma gorjeta para o porteador levar só o meu saco de dormir. Foi a melhor coisa que fiz. Sei que 3 kg parecem pouco, mas isso somado ao peso das minhas coisas faz uma baita diferença. Tirar esse peso das costas foi um GRANDE negócio.